Regras para o convívio de diferentes gerações no mesmo ambiente de trabalho

  • 01/03/2026
(Foto: Reprodução)
Por que os jovens pedem mais demissão? Veja como pensa cada geração Encerro a série de colunas sobre o Century Summit VI, evento realizado pela Universidade Stanford com o tema “Longevidade, aprendizado e o futuro do trabalho”, com um debate sobre como a intergeracionalidade é boa para os negócios. O painel reuniu Marci Alboher, uma das diretoras executivas da CoGenerate, cujo foco é a colaboração entre gerações; Kevin J. Delaney, criador da Charter, empresa de pesquisa sobre o futuro do trabalho; e Dustin Liu, diretor associado sênior da Stern School of Business da Universidade de Nova York para a área de Propósito e Florescimento. Comunicação é a chave: compartilhar experiências é a melhor forma de superar as barreiras entre gerações no ambiente de trabalho TungArt7 para Pixabay Os três concordam que mitos e estereótipos relacionados ao convívio intergeracional representam um dos grandes obstáculos a serem superados. “Há concepções equivocadas e ideias preconcebidas dos dois lados. Temos cinco gerações convivendo e a questão da idade talvez seja a característica menos relevante. Independentemente do fator cronológico, o que mais conta é o estágio da vida em que nos encontramos. Hoje, é comum que pessoas na faixa dos 30 e dos 50 anos tenham filhos pequenos, ou seja, apesar da diferença etária, os estágios de vida se assemelham”, afirmou Alboher. Liu ressaltou que os rótulos dificultam a aproximação, por isso conversas abertas e honestas são indispensáveis. “Há objetivos individuais e outros que são multigeracionais e engajam todos. Só assim damos um passo além: da coexistência para a coesão do grupo”, explicou. Os três lembraram que os jovens também sofrem com o etarismo, quando são considerados incapazes de assumir responsabilidades. Na verdade, eles anseiam por um novo tipo de liderança que compartilhe o poder e as atribuições. Delaney disse que o pior mito é o de que há uma guerra em curso entre as gerações, o que alimenta a ansiedade e a desconfiança. No entanto, quando começam a dividir experiências, essas barreiras tendem a ser superadas. Comunicação é a chave para a convivência: “o colaborador quer ser visto em suas particularidades, e não apenas como um representante de uma geração”. Ele criou um guia com ferramentas práticas para evitar o que chama de “atrito geracional”. A primeira regra é a da curiosidade sobre a suposição: antes de rotular uma postura como “coisa da Geração Z” – como a suposta falta de compromisso dos nascidos entre 1997 e 2012 – ou “coisa de Boomer”, como a resistência à tecnologia que seria uma marca registrada dos nascidos entre 1946 e 1964, busque explicações para tal comportamento. Mentoria reversa: não existe apenas o sênior ensinando o júnior. Há momentos nos quais o colaborador mais jovem é quem traz informações sobre novas ferramentas ou tendências de consumo, enquanto o veterano oferece seu repertório sobre a navegação política e institucional. O acrônimo GATE: Generation (Geração), Age (Idade), Tenure (Tempo de casa) e Experience (Experiência) são atributos a serem considerados em conjunto, evitando o foco exclusivo no ano de nascimento. Delaney sugere ainda que cada membro da equipe enumere suas características e preferências para compartilhar com os colegas, o que elimina suposições baseadas em idade (por exemplo, que os mais velhos só usam o telefone para se comunicar). Alguns tópicos que devem constar nesse roteiro de comunicação: Canais: “para decisões urgentes, me ligue; para atualizações rotineiras, use o WhatsApp”. Pico de produtividade: “sou mais focado de manhã”; ou “prefiro reuniões após as 14h”. Feedback: “prefiro feedback direto por escrito antes de uma conversa”; ou "gosto de debater ideias pessoalmente”. Valores: “não abro mão de pontualidade”; ou “valorizo flexibilidade de prazos em nome de uma qualidade superior”. Para quem quiser conferir as colunas anteriores: a de terça-feira trata dos riscos da inteligência artificial; a de quinta discute como criar uma sociedade de aprendizado contínuo.

FONTE: https://g1.globo.com/bemestar/blog/longevidade-modo-de-usar/post/2026/03/01/regras-para-o-convivio-de-diferentes-geracoes-no-mesmo-ambiente-de-trabalho.ghtml


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